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As janelas abertas deixam entrar o cheiro
do campo, levemente adocicado e seco.
Em frente da casa da Quinta de São Lourenço,
estendem-se vinhas de cepas baixas, geometricamente
dispostas ao sabor das ondulações que
as colinas desenham.
Ainda não é a época das vindimas,
e o odor característico e acre do mosto só
virá la para Setembro. Agora, apenas mal chegou
a Primavera, inundando de luz e de cor os campos. E
dá uma vontade doida de não fazer nada,
a não ser descansar e respirar fundo, no conforto
acolhedor desta casa situada no coração
da Bairrada.
A
casa da Quinta de São Loureço foi construída
em meados do século XIX. A proprietária,
Lígia Mexia Leitão, adora o lugar que
a viu crescer e brincar. O seu avô era um agricultor
da região que tinha vários filhos. Com
vontade de deixar uma casa a cada um, comprou a quinta
ao antigo proprietário, o Visconde de Seabra.
O seu pai herdou a casa e, como era juiz a juventude
de Lígia Mexia Leitão foi passada de terra
em terra. A casa da Quinta era o único poiso
fixo que tinham, e por ser este o seu lugar de origem,
na altura da morte do pai tentou encontrar maneira de
ficar com a propriedade, da qual lhe custaria muito
a separar-se.
Na
altura vivia já em Coimbra e era-lhe dispendioso
e complicado manter em bom estado de conservação
uma casa com esta envergadura. Até ao momento
em que a actual proprietária conseguiu comprar
a parte do irmão o edifício esteve durante
quase 20 anos em situação de semi-abandono.
Em 1989, porém, encontrou maneira de transformar
a casa num lugar acolhedor e arranjado: adaptou-a para
ser utilizada como turismo de habitação.
Como muito gosto e jeito para a decoração,
criou um espaço extremamente agradável
e simpático onde apetece descansar e passar uma
temporada no silêncio do campo.
Texto:
Teresa Carvalho

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