Revista: VOLTA AO MUNDO
Ano: 1996



As janelas abertas deixam entrar o cheiro do campo, levemente adocicado e seco.
Em frente da casa da Quinta de São Lourenço, estendem-se vinhas de cepas baixas, geometricamente dispostas ao sabor das ondulações que as colinas desenham.
Ainda não é a época das vindimas, e o odor característico e acre do mosto só virá la para Setembro. Agora, apenas mal chegou a Primavera, inundando de luz e de cor os campos. E dá uma vontade doida de não fazer nada, a não ser descansar e respirar fundo, no conforto acolhedor desta casa situada no coração da Bairrada.

A casa da Quinta de São Loureço foi construída em meados do século XIX. A proprietária, Lígia Mexia Leitão, adora o lugar que a viu crescer e brincar. O seu avô era um agricultor da região que tinha vários filhos. Com vontade de deixar uma casa a cada um, comprou a quinta ao antigo proprietário, o Visconde de Seabra. O seu pai herdou a casa e, como era juiz a juventude de Lígia Mexia Leitão foi passada de terra em terra. A casa da Quinta era o único poiso fixo que tinham, e por ser este o seu lugar de origem, na altura da morte do pai tentou encontrar maneira de ficar com a propriedade, da qual lhe custaria muito a separar-se.

Na altura vivia já em Coimbra e era-lhe dispendioso e complicado manter em bom estado de conservação uma casa com esta envergadura. Até ao momento em que a actual proprietária conseguiu comprar a parte do irmão o edifício esteve durante quase 20 anos em situação de semi-abandono. Em 1989, porém, encontrou maneira de transformar a casa num lugar acolhedor e arranjado: adaptou-a para ser utilizada como turismo de habitação. Como muito gosto e jeito para a decoração, criou um espaço extremamente agradável e simpático onde apetece descansar e passar uma temporada no silêncio do campo.

Texto: Teresa Carvalho

 


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